
"Tu perguntas o que a lagosta tece lá embaixo com seus pés dourados.
Respondo que o oceano sabe.
E por quem a medusa espera em sua veste transparente?
Está esperando pelo tempo, como tu.
'Quem as algas apertam em seu abraço', perguntas 'mais firme que uma
hora e um mar certos?' Eu sei.
Perguntas sobre a presa branca do narval, e eu respondo contando como
o unicórnio do mar, arpoado, morre.
Perguntas sobre as plumas do rei-pescador, que vibram nas puras primaveras
dos mares do sul...
Quero te contar que o oceano sabe isto: que a vida, em seus estojos de jóias,
é infinita como a areia incontável, pura; e o tempo, entre as uvas cor de sangue
tornou a pedra dura e lisa, encheu a água-viva de luz, desfez o seu nó,
soltou seus fios musicais de uma cornucópia feita de infinita madrepérola.
Sou só a rede vazia diante dos olhos humanos na escuridão...
E de dedos habituados à longitude do tímido globo de uma laranja.
Caminho, como tu, investigando a estrela sem fim,
E em minha rede, durante a noite, acordo nu.
A única coisa capturada é um peixe... preso dentro do vento."
Pablo Neruda