Elaine & cia


02/09/2007


A boba

Anita Malfati

A Boba, 1915/1916
óleo s/ tela,
61,0 x 50,6 cm

Escrito por Nana Tru às 22:14:54
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Das vantagens de ser bobo

O bobo, por não se preocupar com ambições, tem tempo pra ver ouvir e tocar no mundo.
O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: " Mas eu estou fazendo, estou pensando ".
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem.
Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como siomples pessoas humanas.
O bobo ganha liberdade e sabedoria pra viver.
A vantagem de ser bobo é ter boa fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado.
O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo nem percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros.
Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera, é uma das tristezas que o bobo não prevê.
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama !
Os bobos, com suas palhaçadas devem estar todos no céu.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos.
Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos.
Os espertos ganham dos outros. Os bobos ganham mais vida.
Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás nem se importam que saibam que eles sabem.
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.
É quase impossível evitar o excesso de amor que um bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

Clarisse Lispector

Escrito por Nana Tru às 22:12:56
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Sinto vergonha de mim!

mundo.jpg

Sinto vergonha de mim
Por ter sido educador de parte desse povo,
Por ter batalhado sempre pela justiça,
Por compactuar com a honestidade,
Por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
Enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
Por ter feito parte de uma era
Que lutou pela democracia,
Pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
Simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
No julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
Com o “eu” feliz a qualquer custo,
Buscando a tal “felicidade”
Em caminhos eivados de desrespeito
Para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
Pela passividade em ouvir,
Sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
Pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
Para reconhecer um erro cometido,
a tantos “floreios” para justificar
Atos criminosos,
a tanta relutância
Em esquecer a antiga posição
De sempre “contestar”,
Voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
Pois faço parte de um povo que não reconheço,
Enveredando por caminhos
Que não quero percorrer…

Tenho vergonha da minha impotência,
Da minha falta de garra,
Das minhas desilusões
e do meu cansaço.

(…)

Ao lado da vergonha de mim,
Tenho tanta pena de ti,
Povo brasileiro!

“De tanto ver triunfar as nulidades,
De tanto ver prosperar a desonra,
De tanto ver crescer a injustiça,
De tanto ver agigantarem- se os poderes
Nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto”

(Rui Barbosa)

Escrito por Nana Tru às 13:14:28
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